A Tapada Nacional de Mafra anunciou que este ano não há crias da águia de Bonelli

 

Ontem, a Tapada Nacional de Mafra anunciou nas suas redes sociais que “este ano não há crias da águia de Bonelli”.

 

“Se tem seguido a nossa webcam de águia-de-bonelli nos últimos dias, terá reparado que o ninho está agora vazio.

Mas não há sinal para alarme: os ovos não vingaram, provavelmente por este ano o casal ter um macho novo, ainda a aprender – e que poderá nem ter ainda atingido a maturidade sexual. Embora todos fiquemos com pena de não conseguir acompanhar em direto o crescimento de mais uma cria, este é um processo natural e os sinais parecem promissores para o futuro.

Este ano, a época de reprodução das águias-de-bonelli, aqui na Tapada Nacional de Mafra começou diferente do habitual, pois o macho adulto que ocupava o território há longos anos desapareceu, tendo sido substituído por um macho jovem. Não sabemos ao certo porque desapareceu o macho adulto, mas dada a sua idade avançada, pode ter morrido de causas naturais.

O macho jovem que veio substituí-lo completa agora apenas 2 anos. Terminou há pouco a sua fase de dispersão, durante a qual as suas preocupações eram apenas sobreviver e alimentar-se. Neste momento ainda está a aprender as tarefas parentais: no início, depois de a fêmea ter posto os ovos, ele não tomava o seu lugar quando ela se ausentava do ninho (como o macho adulto fazia), mas aprendeu rapidamente e ao fim de uns dias já o podíamos ver a revezar a fêmea na incubação dos ovos.

O período de incubação foi decorrendo e o nascimento estaria previsto a partir da próxima semana, mas na passada quarta-feira e no passado sábado a fêmea desistiu da incubação e levou os ovos para fora do ninho. É provável que a fêmea tenha desistido da incubação por os ovos não terem sido fecundados, pois o macho poderá ainda não ter atingido a maturidade sexual – o que pode acontecer apenas aos 4 anos.

Dado que já estamos em meados de março, é pouco provável que o casal consiga fazer uma segunda postura com sucesso – e mesmo que voltem a tentar, os ovos poderão continuar a não ser viáveis.

Os próximos tempos do casal serão de aprendizagem. Por exemplo, terão oportunidade de treinar técnicas de caça cooperativa, e o macho irá conhecer cada vez melhor o seu território, para poder caçar sozinho mais eficazmente nos anos vindouros. Assim, e com o passar do tempo, o macho estará cada vez mais apto a desempenhar as suas funções de pai: ajudar a alimentar a fêmea durante a incubação, e a(s) cria(s) após a eclosão. O nosso jovem macho tem muito para aprender, mas terá uma professora exemplar, pois a sua parceira é uma fêmea adulta muito experiente.

Pela nossa parte, a equipa LIFE LxAquila e a TNM irá continuar a monitorizar o casal (sem o perturbar), acompanhando esta nova fase – e partilhando-a consigo.”
TNM

 

 

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